quinta-feira, 16 de julho de 2009

Análise do livro didático de Geografia


Considerado por uns como o único instrumento para a aprendizagem na sala de aula e por outros como uma ferramenta auxiliar e até mesmo indispensável no processo de ensino, o livro didático é um dos recursos mais utilizados pelos professores em sala de aula para a construção do conhecimento. Segundo Shaffer (1999 p.133), “o uso do livro didático está associado a uma função social e pedagógica relevante: a construção do conhecimento através do trabalho com o texto impresso, o que permite a ampliação deste universo de conhecimento”. É inegável a importância desse recurso como suporte nas aulas, mas cabe salientar que este não deve ser usado como única fonte de informação, é necessário e até mesmo interessante que os professores possam buscar outros recursos e materiais didáticos para subsidiar a produção do conhecimento, pois, “a qualidade do processo de ensino depende muito mais do desempenho do professor do que da qualidade do livro didático”(ibidem, p.142).
Para avaliar um livro didático vários critérios devem ser contemplados, entre eles, segundo Sposito (2006), os principais se referem à coerência teórico-metodológica, a presença de erros conceituais ou de informação e a presença de preconceito ou indução a ele. Neste sentido, Castrogiovanni e Goulart (1999) afirmam que para propiciar uma visão da Geografia segundo perspectiva crítica, deve-se levar em consideração: “a fidedignidade das informações”; “o estímulo à criatividade”; “uma correta representação cartográfica”; “uma abordagem que valoriza a realidade”; e “enfocar o espaço como uma totalidade”.
O livro didático selecionado para essa análise se intitula Construindo a Geografia: O Brasil e os Brasileiros e está direcionado para alunos da 6ª série do Ensino Fundamental trazendo um enfoque sobre o território brasileiro elecando seus aspectos físicos, econômicos, sociais e culturais.
No interior dos capítulos e unidades, fotografias, mapas ou imagens são utilizados para ilustrar e/ou contextualizar a temática que será trabalhada, como também são empregados quadros contendo explicações referentes aos conteúdos e boxes com vocabulário de alguns termos geográficos. No término de cada capítulo, são sugeridas atividades que se subdividem em duas seções - Passando a limpo, com questões que favorecem a revisão dos conteúdos trabalhados e Oficina de geografia com atividades diversas permitindo aos alunos uma maior fixação do que foi estudado a partir do uso de várias linguagens. Vale ressaltar ainda que, no final de cada unidade, há uma seção intitulada Conexão, trazendo textos complementares relembrando alguns conteúdos, sugestões de filmes e indicações de sites.
Observando a abordagem dos conteúdos e as atividades propostas no livro, nota-se que a intenção dos autores é trabalhar a geografia de forma viva contextualizada com o cotidiano do aluno, proporcionando o desenvolvimento do senso crítico a partir de questões que exigem reflexão, compreensão e associação dos conteúdos conectando-os à realidade. Os mapas, gráficos e tabelas são bastante utilizados em todos os capítulos tanto para a espacialização dos fenômenos como para a interpretação de dados. Possuem a estrutura correta (fonte, escala, legenda, título) e as figuras aparecem contextualizadas, favorecendo assim um subsídio para o entendimento do conteúdo abordado. Vale acrescentar ainda, o emprego de várias obras de arte e de temas que propiciam ao aluno refletir sobre questões contemporâneas.
É notável no livro a preocupação dos autores no que concerne à proteção ambiental. Os textos complementares e imagens mostram que somos nós, os humanos, o principal agente transformador da paisagem e nos instiga a refletir sobre nossas ações cotidianas em prol da preservação do ambiente. Em termos gerais, e apesar da maneira sucinta com o qual os autores trabalham certos conteúdos, considera-se este livro um material de boa qualidade , atualizado (para o ano em que foi publicado), podendo ser usado pelos alunos da série ao qual o mesmo foi destinado.
O livro didático é, sem dúvida, um subsídio de grande relevância no processo de ensino aprendizagem, como também uma ferramenta indispensável para a construção do conhecimento em sala de aula, cabendo aos professores percebê-lo como um instrumento auxiliar nesse processo, buscando novas fontes de informação que contemplem os conteúdos abordados, como também explorar as diferentes formas de linguagem, pois as mesmas além de possuírem a capacidade de dinamizar as aulas, permitem maior fixação dos temas em estudo.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Regina; GUIMARÃES, Raul Borges; RIBEIRO, Wagner Costa. Construindo a Geografia: O Brasil e os Brasileiros. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2005.

CASTROGIOVANNI, Antônio Carlos; GOULART, Lígia Beatriz. A questão do livro didático em geografia: elementos para uma análise in CASTROGIOVANNI, Antônio Carlos(org) et al. Geografia em sala de aula: Práticas e reflexões. 2. ed. Porto Alegre. Editora da Universidade/UFRGS, 1999.

SCHAFFER, Neiva Otero. O livro didático e o desempenho pedagógico: anotações de apoio à escolha do livro texto in CASTROGIOVANNI, Antônio carlos(org) et al. Geografia em sala de aula: Práticas e reflexões. 2. ed. Porto Alegre. Editora da Universidade/UFRGS, 1999.

SPOSITO, Eliseu Savério. O livro didático de Geografia: Necessidade ou dependência? Análise da avaliação das coleções didáticas para o ensino fundamental in SPOSITO, Maria Encarnação Beltrão(org.). Livros didáticos de História e Geografia: Avaliação e Pesquisa. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 2006.





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